Disclaimer

Este é um blog de útilidade pública e sem fins lucrativos. Todos os textos são da responsabilidade dos respectivos autores, não existindo qualquer intenção explícita ou implícita de influenciar positiva ou negativamente as escolhas políticas, religiosas, sociais e culturais dos utilizadores. Todo o conteúdo deste blog é entretenimento e ficção não havendo, por isso, qualquer responsabilidade civíl ou moral por parte do autor por qualquer susceptibilidade ferida. Este blog é fixe e deve ser visto todos os dias.

Capítulo III

Nunca te vou perdoar por teres arranjado outra, a ideia de alguém te ter acaba comigo. Tenho muitas saudades tuas, embora saiba que não chego a lado nenhum. A tua nova amante é parecida comigo, pelo menos fisicamente. É estranho pensar que me substituíste dessa maneira, fico a pensar que tu afinal até queres estar comigo mas não tens coragem para admitir. Ou então queres ficar com alguém que te faça lembrar de mim, para nunca me esqueceres. Ou então não é nada disto e sou eu mais uma vez a fazer filmes.

O João tem falado comigo ultimamente. Sim, aquele João que tu não gostas, que dizias que falava demasiado comigo e que, embora nunca tenhas admitido, morrias de ciumes dele. Eu e ele estamos a dar-nos muito bem, temos dormido juntos ultimamente, temos saído à noite, temos ido ao cinema. Ido ao cinema! Tu, que te dizias todo entendido na matéria, tiveste o descaramento de me dizer que estavas farto. Como foi possível teres-me dito isso? Odeio-te de tantas maneiras! Ele trata-me bem, ele faz tudo o que eu quero. Ele faz tudo o que eu quero!

Ele faz tudo o que eu quero.. às vezes faz demais. Não é preciso fazerem sempre o que eu quero, torna-se irritante ao fim de algum tempo. Nisso tu nunca erraste, sempre tiveste a tua personalidade forte e impenetrável. Eu admiro-te por isso, nunca consegui que fizesses tudo o que eu queria, isso excitava-me às vezes. Lembras-te? Claro que não, obviamente que não te lembras, nunca te lembraste das nossas coisas. Nunca quiseste saber dos nossos momentos. Nem a data da primeira vez que fizemos amor conseguiste decorar. És ridículo. Devia ter sido o dia mais importante da tua vida, no entanto, ignoraste-o e partiste o meu coração dias depois. Mais uma vez. Uma das muitas vezes.

Agora tens aquela nova, a quem fazes tudo. Sim! Eu sei que fazes tudo por ela, pareces um cachorro abandonado atrás da dona. Eu tenho quem me conte isto, amigos teus que ainda acham que eu sou a certa para ti. Eu digo-lhes que não quero saber, mas eles insistem. Não sou mal educada e não os ignoro, ouço-os e concordo com a cabeça. Às vezes sabe-me bem ouvi-los a contar como tu andas emocionalmente destruído. Há um gosto mórbido em ver-te mal. Eu desejo-te mal. Eu quero que tu sofras, quero que te façam sofrer como me fizeste (e fazes) a mim. Gosto que eles me contem que tu andas à deriva, que te embebedas todas as noites tal como eu. Gosto que andemos no mesmo nível de desgosto e de depressão. Isso faz-me sentir melhor, só para ser melhor que tu.

Habituaste-me a escrever enquanto fumo um cigarro, dizias que não imaginavas um artista no acto da criação sem um cigarro na boca. Estou neste momento com esse cigarro na boca, com o cinzeiro cheio de beatas. Queria tanto que estivesses no lugar do João, que neste momento está na minha cama a dormir silenciosamente. Até nisso tu marcavas pela diferença, tu ressonavas. E, por certo, se eu te fosse acordar só para que te abraçasses a mim, me ias rejeitar e gemer para que te deixasse em paz. E eu, estúpida, respeitava. Não sabes, mas cheguei a ir para a sala ver televisão só para não te incomodar. Mais tarde, à hora a que me pedias para te acordar, fingia que estava na cama e acordava-te. Aconteceu vezes de mais, agora sinto a figura de parva que fazia, que tu me fazias fazer. Odeio-te Pedro. Foste a pior pessoa que eu conheci, mas a que mais marcas deixou. Será esse um pré-requisito?

1 Comment:

  1. danieL said...
    estes teus capítulos fazem-me pensar no que não devo e estragam-me os dias.

Post a Comment